Depois que concluí essa etapa, resolvi fazer turismo. Voltei para o Porto e fui conhecer o que tem de bom. É uma cidade grande, mas com um centro histórico riquíssimo e como toda cidade tem seus problemas. Há pedintes na rua com o intuito de comprar comida, mas é visivelmente o dinheiro e para comprar outra coisa. Encantei-me com a riqueza da arquitetura e tudo muito bem preservado, aproveitei e fui provar o cozido português. Diferente do cozido daqui, eles cozinham vários tipos de carnes, bovina, frango, alguns tipos de lingüiça e legumes tudo junto - não faltando o repolho - mas não vem como aqui com feijão branco ou grão-de-bico.
Fui conhecer Paredes, uma cidade pequena com pessoas simpáticas, e eu que achava que Ribeirão Pires que era pequena e possue internet de graça. Isso foi o que achei interessante em Portugal consegue-se usar a internet de graça nas bibliotecas mas com tempo limitado, mas tem internet e de graça. E posso dizer a vocês de todos os lugares que conheci não importando se eram aldeias, vilarejos ou cidades com mais ou menos estrutura, a que mais gostei e indico para conhecer é Braga. É uma cidade especial, histórica, muito bonita, enfim espetacular e com pessoas muito agradáveis. Vi por lá que os portugueses são muito hospitaleiros, conversam mais e parecem mais felizes. Passei dias agradáveis e quem quiser provar caipirinha instantânea..é só ir para o “Chaves”, não o presidente, nem o personagem da TV é um café - que aqui chamamos de bar - e provar a nossa caipirinha daqui em pó, isso mesmo aquela que vende aqui nos supermercados. É só acrescentar a pinga (aguardente), gelo e tá pronta. Outro lugar que gostei também muito é o “Insólito”, um tipo de bar com música, que vai desde pop rock ao techno - dependendo do dia - como dizem os portugueses muito “fixe” (legal), esse lugar. E o vocabulário? Isso é o que mais vale numa viagem, a troca de informações. Têm palavras com o significado muito diferente, outras bem parecidas. Aqui vai algumas que eu lembro. Se quiser beber algo gelado, peça por “fresca”, por exemplo uma Coca gelada seria uma “Cola fresca”, gajo (a) – homem/ mulher, comboio é o trem - transporte metropolitano, giro(a) – o mesmo que bonito(a), um sandes tostado é o misto quente, autocarro é ônibus. Passei por aldeias e vilarejos onde tive a impressão que o tempo não passava, várias vezes sentia que as pessoas que me cumprimentavam estavam dentro de uma “bolha” vivendo sua vidinha, com os mesmos rituais seguindo sua rotina. E eu estava fora dessa “bolha” apenas de passagem, como se a minha presença não alterasse nada, cumprimentam e voltam ao seu mundo. Férias é muito bom, mas acho que a rotina faz parte para que todos tenham o seu ritual diário, mas quando a rotina vira tortura aí o jeito é trocar de vida. A Espanha é um país onde não se dá muita confiança a turistas, mas de lugares bonitos. Seu povo não faz muito esforço para compreender outra língua que não seja a sua. Mas todo brasileiro dá jeitinho, aprendi a respeitar as diferenças, são muito ríspidos, estúpidos, mas é o jeito deles, falam e agem desse jeito. Para quem gosta de frutos do mar vai adorar, pois em todas as cidades que passei, são muito baratos e de boa qualidade. Há muitos brasileiros em Santiago de Compostela, o que a torna uma cidade universitária. Vão para lá estudar, mas alguns acabam desistindo e ficam para morar e trabalhar. E quando encontram outro brasileiro tem uma euforia de saber de como esta seu país, uma saudade nos olhos e te trata como se fossem velhos amigos. Considero-os muito corajosos, deixar seu país, sua cultura, sua família e seus amigos para tentar uma vida melhor num país estranho. Essa viagem me proporcionou uma grande experiência, fiz amigos que vou guardá-los com carinho, vou ter imagens maravilhosas na minha mente, cultura de povos diferentes e sensações indescritíveis.

Um comentário:
Adorei a sua descrição sobre Portugal. Será sempre bem-vinda :)
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